Alocação do tempo das mulheres

 

As mulheres ainda são responsáveis por grande parte do trabalho doméstico. Na literatura, ao menos três correntes teóricas são encontradas para explicar as desigualdades entre homens e mulheres na alocação de tempo em trabalho remunerado e não remunerado. Segundo a teoria do capital humano, essas diferenças seriam explicadas pelas vantagens comparativas entre os membros do casal, decorrentes da especialização (Becker, 1981).

 

Para os modelos de barganha, a alocação do tempo em trabalho remunerado e não remunerado seria resultado de conflito e não de racionalidade econômica: quanto maior o poder de barganha, em menos atividade doméstica o membro da família se engajaria. Nas teorias baseadas em normas e instituições, reconhece-se que a divisão do trabalho doméstico dentro do domicílio seria fortemente determinada por aspectos psicológicos e sociológicos da identidade de gênero, sendo a socialização um aspecto central.

 

A divisão desigual das atividades domésticas seria, então, um meio pelo qual os papéis de gênero apropriados segundo as normas da sociedade seriam demonstrados e reafirmados. Essa divisão desigual, que se baseia na suposta noção de que as mulheres apresentariam vantagens na realização do trabalho doméstico, tem consequências significativas sobre os salários femininos, as oportunidades na carreira e tem sido também associada às baixas taxas de fecundidade em alguns países.